Estava na frente do computador estudando para a prova de economia, e entre uma pausa e outra, acompanhava a música Aquarela de parceria de Toquinho e Vinícius de Moraes. Acompanhava, porque a internet através de sua multimedialidade possibilita-me a ver e escutar o fragmento de um show, no qual Toquinho reproduzira a música; como também acompanhar a letra. Ao longo da música, Toquinho e Vinícius nos falam de que como um desenho pode servir de aeronave em uma viagem através de nossas almas e, sempre realçando o suporte papel como combustível desta aeronave. “Uma folha qualquer eu desenho um sol amarelo...”
A multimedialidade é uma das principais características da internet, pois ela liberta a música do suporte vinil, liberta a imagem do suporte película e liberta o texto do suporte papel. No seu alforje a internet acopla as demais mídias.
Nessa perspectiva de combinações de várias mídias, surgiram dois posicionamentos em relação à mudança e transição midiática, que vai muito além dos avanços tecnológicos no campo da comunicação: midiamorfose e midiacídio.
Segundo Roger Fidler, midiamorfose seria a transformação da mídia já existente. Esta transformação não condena ao desaparecimento das velhas formas de comunicação, mas determinam uma necessidade de adaptação. Midiacídio é a negação da evolução do campo midiático, conseqüentemente, a “morte” de carreiras de profissionais da comunicação que não se adaptarem a nova realidade.
O midiacídio é real, a “simples” troca de suportes fez do vinil objeto obsoleto, e sua morte foi eminente; hoje o vinil virou uma peça de decoração ou vive em um cantinho com um monte de tralha, da qual nós não conseguimos desfazer.
Nos dias atuais, a comunicação passa a dar uma maior ênfase para o receptor; este goza de autonomia e liberdade: passa a consumir e produzir informações no formato e plataforma que achar melhor. Notebooks, netbook, celulares, smartphones, tablets e outras tantas mídias móveis que surgirem são, sem dúvida nenhuma, grandes rivais da TV e, à medida que estes aparelhos forem popularizando podem fazer da TV o mesmo objeto de decoração ou se tornar tralha da mesma forma que o vinil.
A mídia escrita também não fica atrás; os jornais já disponibilizam uma versão online de seus conteúdos de seus jornais diários, e o nosso velho amigo papel vai perdendo espaço.
Os desenhos e as cartas de amor ganham em cores e agilidade, quando produzidos no corel draw e Word e enviados por e-mail; a subjetividade também permeia estes aplicativos. Mas aqueles que não dominarem tal tecnologia estarão fadados a não exprimir ao mundo suas almas. E o futuro é terrivelmente incalculável, que... “Sem pedir licença, muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar.”
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