10 de julho de 2011

Imprensa: Produtora de Significado


A mídia produz e partilha significado, logo, ela contribui para a variável percepção de mundo de todos os indivíduos, participando da vida social e cultural de cada um. A mídia assume papel decisivo na sociedade contemporânea como formadora de opinião. Vale acrescentar um fato relevante: a imprensa nunca será imparcial, pois esta, se valendo como uma instituição social tem em sua organização um conjunto de regras e valores, assumindo então, um ponto de vista.

Nesta perspectiva, toda notícia produzida e veiculada pela mídia é simplesmente a sua interpretação dos fatos, que segundo o geógrafo Milton Santos, é uma interpretação mergulhada na sua visão, nos seus preconceitos e nos seus interesses – que na sua grande maioria são comerciais.

Com a capacidade de modificar o comportamento do receptor, as mensagens produzidas pela mídia são de baixo repertório: redundantes, imediatistas e de fácil circulação, elas reforçam ainda mais a condição de inércia e alienação na qual, nós os receptores estamos fadados.

A cultura de uma nação, entendida como um fenômeno ativo e vivo, através do qual as pessoas criam e recriam mundos em que vivem, sofrem influência determinante da mídia, pois esta estabelece modos de pensar, agir e principalmente de consumir.

A mídia se intensifica como referência para a vida diária; a produção e a manutenção do senso comum tendem a depender somente da mídia, sabendo do imenso poder que ela tem nas mãos, ela desenvolve através da produção e partilha de significados, um sem número de necessidades que são resolvidas com um sem números de produtos veiculados e comercializados por ela.

Em um documentário do cineasta brasileiro Silvio Tendler, que mostra uma entrevista com o geógrafo Milton Santos, cujo título é “O mundo global visto do lado de cá”, discorre sobre os problemas da globalização na ótica do terceiro mundo. No trecho final da obra, Milton Santos profetiza o seguinte: “... estamos fazendo os ensaios do que será a humanidade.”

Segundo o dicionário Aurélio, humanidade se refere aos seres humanos, ao povo; clemência; compaixão. A mídia pode contribuir de maneira considerável para construção desta “humanidade” baseada na solidariedade entre indivíduos e povos.

As ações de utilidade pública – todas elas paliativas – que a mídia realiza, só são feitas unicamente, para reforçar sua imagem perante a opinião pública; mostrar para todos que é uma instituição socialmente responsável.

Uma das maiores ações que a mídia poderá fazer para esta “humanidade” seria contribuir para que todas as pessoas pudessem pensar e refletir, não em busca de um desejo de consumo, mas em busca de um senso comum que fosse pautado em valores morais que visem o aperfeiçoamento e libertação individual e coletiva dos seres humanos.

Aumentar o poder de compra significa uma vida feliz? Esta receita de felicidade que a mídia nos dá sacia todos os nossos anseios? Estas perguntas são tão enigmáticas quanto às pirâmides do mundo antigo. São moralistas e ultrapassadas. A pergunta da moda é “o que eu posso ter?” A mídia nos faz esta pergunta, mas até neste caso ela não nos dá o direito de pensar, ela logo nos responde nos intervalos de nossos programas favoritos.



Fábio César Marcelino

2 comentários:

  1. Gostei do texto e concodo com o que foi colocado. Penso que diante de tal situação, nós os receptores, assumimos um papel fundamental, pois somos complacentes com a ditadura midiática. O fato de haver uma mídia orpessora também se perpetua pelo fato de que existem muitos oprimidos que se complazem com toda a perversidade que nos é vendida

    Fabiano

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  2. Gostei e concordo com o texto.
    Creio eu que a mídia influencia e muito no modo de vida e de pensar de nós telespectadores.

    Parabéns pelo blog!

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