4 de dezembro de 2011

E você, também se parece com o Homer Simpson?


Discurso, segundo o Dicionário Aurélio, significa “exposição metódica sobre certo assunto”. Para a comunicação, o discurso vai além de um simples objeto de exposição, ele se constitui um espaço de trocas de informação entre narrador e receptor e se dá por meio do processo: Fonte – Canal (Meio) – Receptor. Mas, disso você já está cansado de saber, não é verdade?

Mas o que talvez ainda não esteja claro para você e milhões de brasileiros é que o discurso midiático pode ser representado por duas instâncias: a de produção e a de recepção, ou seja, é construído com base nos critérios de relevância social. O narrador/ jornalista seleciona os acontecimentos fazendo um “recorte do espaço público” a fim de evidenciar o que melhor se adapta às expectativas do receptor. Isto nos leva a perceber que o canal, meio por onde é transmitida a informação, fica sujeito a interferências da mídia.

O Jornal Nacional (JN), por exemplo, possui William Bonner como editor-chefe. Em uma entrevista para a revista Carta Capital, em dezembro de 2005, Bonner afirmou que ao construir a notícia ele comparava o espectador com Homer Simpson – figura preguiçosa, que passa horas sentado ao sofá bebendo cerveja e saboreando rosquinhas enquanto assiste TV sem, contudo, fazer questionamentos sobre o que se vê. Essa política está presente até hoje, o jornalista constrói as versões dos fatos que melhor achar conveniente, mas é claro que as notícias passam pelo crivo: “Essa até o Homer entenderia! Ah, essa não! Essa sim!...”

O exemplo de Bonner no JN é a representação fiel do que as mídias fazem de melhor: filtram os fator como forma de exercer o domínio. Ao relatar o discurso, as mídias não transmitem a realidade social e sim constroem um discurso voltado para a representação do fato real. Desse modo, o que vemos é uma tentativa sustentar os interesses ideológicos de determinados grupos, ignorando a capacidade de raciocínio do público receptor.

Não se deixem enganar, “o essencial é invisível aos olhos...”

Jussara Assis

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