31 de março de 2014

A legião dos esquecidos

Créditos: Carlos Latuff - 2012
“Memória de um tempo onde lutar por seus direitos é um defeito que mata/ São tantas lutas inglórias, são histórias que a história qualquer dia contará”. Este trecho faz parte de uma canção de Gonzaguinha, “Pequena memória para um tempo sem memória (A legião dos esquecidos)”, o artista fala do tratamento que a história nacional dá para essas pessoas que estão desaparecidas ou foram mortas pelo golpe deflagrado, em 1964, pelos políticos, empresários e militares financiados pelo governo americano.

Naquele contexto, os militares tomaram o poder no Brasil e instauraram o Estado Ditatorial, que perdurou por mais de duas décadas e seus efeitos são sentidos ainda hoje, 50 anos depois, através do atraso social, econômico e cultural em que o país se encontra.

A história deste tempo doente, que apresenta toda a agonia de uma nação, é mal contada, pois quem conta teve um papel ativo na instauração do golpe: a imprensa brasileira. Em uma história cheia de lacunas e contradições, a mídia se coloca como uma instituição que fora perseguida e censurada. No entanto, seu papel foi decisivo na instauração, propagação e sustentação do regime.

Diante da complacência da grande mídia brasileira, surgem os veículos alternativos que, de forma heroica, buscavam denunciar os abusos do regime. Jornais impressos como “Versus”, “Opinião”, “Pif-paf” e o mais famosos deles, o “Pasquim” cobravam, cada um a seu modo, a volta da democracia, o respeito aos direitos humanos e criticavam o modelo econômico da época. E, claro, todos foram “calados pela ditadura”.

Sobre diretitos humanos, segundo os números oficiais do governo federal, 357 pessoas foram mortas pelo regime. Já os familiares destas pessoas que se envolveram na luta contra a ditadura, afirmam que 426 pessoas foram assassinadas. Em um estudo formulado pela Comissão Nacional da Verdade, entidade criada pelo governo brasileiro para apurar violações aos direitos humanos, ocorridas no Brasil, entre 1946 e 1988, afirma que mais de 600 outras pessoas teriam sido mortas, mas que não estão relacionadas nesta lista.

Em 31 de agosto de 2013, o Jornal O Globo, veículo de propriedade das organizações Globo, lança um editorial admitindo seu apoio aos militares na época, porém classificou o ato como um equívoco. No entanto, tal retratação não responde aos vários questionamentos feitos por aqueles que vivenciaram aquele período dramático. A mídia vista como voz da opinião pública, credível formadora de opinião, deve uma resposta satisfatória para a sociedade, pois esta mesma mídia que ontem apoiou o golpe, é a mesma que exerce grande influência sobre nossa sociedade.



Fábio Cesar Marcelino

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