14 de julho de 2014

A absolvição de Barbosa

Fonte: Netvasco
Quando o juiz apitou pela última vez, na vitória histórica e apoteótica da seleção alemã sobre o Brasil, por 7 a 1, em Belo Horizonte, na partida válida pelo mundial deste ano, retirou-se do scret canarinho de 1950 a alcunha de seleção eternamente maldita. Barbosa, lá da eternidade, não precisa se preocupar tanto com aquela bola chutada pelo uruguaio Gigghia, aos 34 minutos do segundo tempo, naquela tarde fatídica de 16 de julho de 1950, no Maracanã.

A derrota de 1950 ficou conhecida como “Maracanazo”, nome dado pela imprensa uruguaia à épica conquista do título da Celeste Olímpica, no mundial daquele ano. A imprensa brasileira elegeu Moacir Barbosa do Nascimento, o Barbosa, o então goleiro da seleção, como um dos principais responsáveis pela derrota canarinho. Barbosa ficou marcado para sempre.

Como em todas as produções de entretenimento devem existir heróis e vilões, Barbosa protagonizou o papel de maldito por mais de 64 anos. Neste período, o goleiro foi pauta corriqueira para imprensa brasileira, principalmente no período de copa do mundo.  Livros, filmes e matérias jornalísticas exploraram e esgotaram a temática, escancarando a vida do pobre goleiro que morreu aos 79 anos, em 2000, no ostracismo, sem honra e sem glória.

O documentário “Barbosa”, produção de 1988 de Ana Luiza AzevedoJorge Furtado, conta a história de um cientista que inventou uma máquina do tempo e foi parar no ano de 1950 com o objetivo de impedir que Giggia anotasse o gol que deu o título aos uruguaios. Se daqui alguns anos, inventarem uma máquina como essa, como seria evitar o vexame?

O certo é que a alcunha de maldito não pertence mais a seleção de 1950 comandada por Flávio Costa e muito menos a Barbosa. Agora, sabemos que a nova data insossa é a do dia 8 de julho de 2014.   O episódio da última terça-feira, sem sombra de dúvida, é mais um “Maracanazo”, ou melhor, um “Mineirazo”, ou até mesmo um “Minenarbeiter” – mineiro em alemão.

A imprensa brasileira ainda está digerindo o resultado, no entanto, o mote para a história já existe, os personagens também, faltando apenas definir os “mocinhos” e os “vilões” dessa trama que está prestes a nascer.

Pra terminar, outro dado e um questionamento: a seleção jogou a Copa do Mundo de 1950, de branco. Mudou para amarelo devido aquela derrota para o Uruguai. Será que depois desta derrota acachapante para os alemães, a seleção brasileira jogará de verde, a cor da esperança?


Fábio César Marcelino

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